quinta-feira, 2 de abril de 2020

Filosofia - Atividade 2 - Profª Nil Pontes


A língua e os saberes coletivos
A língua falada tem como base física os sons, ou seja, a vibração do ar, e a língua escrita tem sua base na imagem, quer dizer, em um desenho no espaço. Ela também tem uma base física no animal que fala. A língua falada depende de um aparelho fonético bastante sofisticado, e a língua escrita depende de uma mão igualmente sofisticada. Há, ainda, a linguagem de sinais, que tem como base os gestos decorrentes de uma linguagem natural. Todas apresentam características exclusivas da nossa espécie.
As línguas falada, escrita e de sinais têm uma base cultural, pois são indissociavelmente ligadas a uma forma de vida, uma cultura determinada. Ao mesmo tempo que a cultura é gerada pela língua, ela também gera a língua. Ao nomear, classificar, categorizar, registrar suas experiências vitais, os seres humanos criam palavras e sintaxes articuladoras de palavras ao contarem histórias de modos particulares de vida.
A língua é o “saber coletivo” fundamental de um povo, de uma nação, de uma cultura. É fundamental porque, com a língua, os grupos humanos fundam sua identidade, por meio das palavras que organizam e nomeiam suas atividades para sobrevivência, suas crenças, seus valores, suas artes. Assim como é verdadeira a afirmação de que existem comunicações sem palavras, é verdadeira a impossibilidade de constituição de um agrupamento humano, seja uma tribo, uma cidade ou um país, sem a edificação de saberes coletivos que são planejados, registrados – ainda que na memória da tradição oral – e comunicados pela língua de geração em geração. A língua é o saber coletivo mais bem repartido de um povo ou comunidade. Além disso, é um saber em contínua transformação e crescimento. Todos nós aprendemos a língua constantemente e todos nós ensinamos a língua constantemente.
A língua de um povo, portanto, é um instrumento valioso para a sua identidade. Ela é a espinha dorsal de uma sociedade ou cultura. E é por isso que os antropólogos, quando se deparam com uma nação tribal em risco, imediatamente chamam os linguistas para fixarem a língua em uma escrita, na tentativa de não deixá-la morrer.
Pensamos, falamos, lemos e escrevemos as palavras que herdamos como seres nascidos em tempo e espaço determinados, em meio a saberes coletivos já consolidados. Herdamos a língua com as palavras já enredadas em significados. É com essas palavras, com essa herança que é a língua, que abarca os saberes coletivos de nosso grupo cultural e o universo de significados por ele produzidos, que construímos nossa arte, nossa expressão escrita e falada, nosso modo de ler e dizer o mundo.
A língua como criadora de realidades
Outra característica importante do ser humano que é permitida pela linguagem pode ser encontrada na capacidade de sair do presente e da presença do que é visto para lançar-se ao passado, ao futuro e a mundos nunca visitados.
Para a reflexão sobre esse papel da língua, leia e imagine o trecho a seguir:
“Eram quatro apenas: um velho, dois homens feitos e uma criança, na frente dos quais, rugiam raivosamente 5 mil soldados.”
CUNHA, Euclides da. Os sertões. Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/ ua00091a.pdf>. Acesso em: 19 jul. 2013.



Agora, responda mentalmente:
·        Como era o velho? Ele usava chapéu? 
·        E como eram os dois homens feitos? 
·        E a criança, era menino ou menina? 
·        E os 5 mil soldados? Eram soldados da polícia? Do Exército? De que época?  
·        Onde a cena imaginada se passou? Na cidade, no campo? Fazia calor? Fazia frio?
·        Você se perguntou por que 5 mil soldados para enfrentar quatro pessoas? 
·        Você interpretou em que circunstâncias esse fato teria ocorrido? 
·        Você ficou com pena daquelas quatro pessoas? 
·        Alguém ficou indignado com a desproporção entre as quatro pessoas e os 5 mil soldados?

E isso mostra a força da imaginação pessoal na compreensão do que é descrito ou narrado, e como ela ocorre de maneira aparentemente automática, sem identificarmos os motivos desta ou daquela associação de ideias.
A linguagem é isto: um processo que permite a criação de fatos na mente das pessoas. Permite a criação de imagens, de ideias, de acontecimentos, de emoções, de julgamentos e, até mesmo, de todos esses aspectos simultaneamente, seja na reflexão que cada um de nós faz consigo mesmo, seja no ato da expressão e comunicação entre diferentes indivíduos, em sociedade.
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Agora responda as questões abaixo:
1. Qual é a diferença entre língua e linguagem?
2. Por que é possível afirmar que a grande distinção entre os homens e os demais animais é a língua e não a linguagem?
3. Quais são as experiências dos seres humanos cuja realização só é possível por meio da língua, da palavra?
4. Por que é possível dizer que a palavra – a língua – cria realidades, cria mundos que não existem?


  • A atividade deve ser enviada para o email: odeniura@yahoo.com.br
  • Fazer à caneta ou digitado.
  • Não esqueçam de colocar nome e série.


Obs. As atividades postadas são para os alunos que ainda não as fizeram.


Qualquer dúvida, estou à disposição.

Beijocas!!!💗

Nil Pontes



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